COO (Chief Operating Officer): o que faz?

Toda empresa que cresce chega a um ponto em que a operação precisa acompanhar a ambição do negócio. No início, muitos processos funcionam porque as equipes são menores, as decisões estão concentradas em poucas pessoas e os ajustes acontecem de forma mais rápida. Com o tempo, esse modelo começa a mostrar limites.

As áreas se multiplicam, os canais de venda aumentam, o marketing passa a lidar com mais campanhas, o comercial precisa de previsibilidade, a tecnologia entra com mais força e a marca começa a ser cobrada por uma entrega mais consistente. Nesse cenário, o crescimento passa a exigir coordenação.

É aí que o COO ganha relevância.

A sigla aparece com frequência em empresas em expansão, mas ainda gera dúvidas. Afinal, COO: o que faz? Esse profissional cuida apenas de processos internos? Atua como braço direito do CEO? Participa de decisões estratégicas? Tem relação com marketing e vendas?

A resposta passa por uma visão mais ampla da empresa. O COO, ou Chief Operating Officer, é o executivo responsável por conectar estratégia e execução. Sua atuação envolve processos, pessoas, tecnologia, indicadores, cultura, governança e integração entre áreas. Em empresas mais maduras, também influencia decisões ligadas a marca, performance, experiência do cliente e crescimento comercial.

Para explicar melhor, ao longo deste artigo, vamos falar sobre o que significa COO, o que faz um Chief Operating Officer, quais responsabilidades esse cargo costuma assumir e como sua atuação se conecta com marketing, vendas, marca e crescimento empresarial.

Vamos lá?

O que significa COO?

COO é a sigla para Chief Operating Officer, termo em inglês geralmente traduzido como Diretor de Operações. Esse profissional é responsável por garantir que a empresa funcione de forma estruturada e consiga executar sua estratégia com eficiência.

Em muitas organizações, o COO atua próximo ao CEO. Enquanto o CEO costuma se concentrar na visão geral do negócio, no posicionamento institucional, na expansão, na relação com investidores ou conselheiros e nas decisões de longo prazo, o COO olha para a operação que torna tudo isso possível.

Ele acompanha como as áreas estão trabalhando, identifica gargalos, organiza prioridades, revisa processos e ajuda a transformar planos em entregas concretas.

Essa função pode variar bastante de uma empresa para outra. Em negócios industriais, o COO pode ter uma atuação mais ligada à produção, logística e cadeia de suprimentos. Em empresas de serviços, tecnologia ou comunicação, pode estar mais próximo de gestão de times, processos internos, atendimento ao cliente, eficiência operacional e integração entre áreas. Em estruturas B2B, sua atuação muitas vezes passa por marketing, vendas, produto, tecnologia e experiência do cliente.

Essa variação não diminui a importância do cargo. Pelo contrário: ela mostra que o COO precisa entender profundamente o modelo de negócio da empresa. Seu trabalho não é replicar processos prontos, mas organizar a operação de acordo com a estratégia, o estágio de maturidade e os objetivos da organização.

O que faz um COO?

O COO é responsável por coordenar a operação da empresa de forma integrada. Na prática, isso significa acompanhar processos, lideranças, metas, recursos, tecnologia, indicadores e fluxos de trabalho para garantir que a organização avance com eficiência e consistência.

Ele não substitui as lideranças de cada área, mas ajuda a criar uma rotina em que as decisões sejam mais coordenadas. Seu trabalho envolve fazer a empresa funcionar melhor, com menos ruído entre departamentos e mais clareza sobre prioridades.

Para ajudar no entendimento, fizemos uma tabela mostrando as frentes em que o COO pode contribuir e os impactos dessas ações. 

Frente da empresa Como o COO atua Impacto prático
Operação Revisa processos, fluxos e responsabilidades Reduz retrabalho e melhora a execução
Marketing Conecta campanhas, dados e capacidade operacional Aumenta o aproveitamento das iniciativas
Comercial Apoia organização de funil, metas e indicadores Melhora previsibilidade e conversão
Tecnologia Orienta adoção de ferramentas e integração de dados Dá mais clareza para decisões
Branding Aproxima promessa de marca e entrega real Fortalece consistência e reputação
Pessoas Avalia estrutura, talentos e necessidade de desenvolvimento Ajuda times a trabalharem com mais foco

Essa visão integrada é importante porque as empresas raramente enfrentam problemas isolados. Mas para além das tabelas, elencamos cada uma das funções que geralmente um COO assume. Confira!

  1. Colaborar com outras funções-chave para manter as engrenagens funcionais

Uma das principais responsabilidades do COO é colaborar com diferentes funções-chave da empresa. Isso inclui áreas como marketing, comercial, financeiro, recursos humanos, tecnologia, atendimento, produto, jurídico e diretoria executiva.

Essa colaboração é necessária porque a operação depende da relação entre áreas. Quando cada departamento trabalha apenas dentro da própria lógica, a empresa pode até produzir muito, mas nem sempre avança na direção certa.

Um exemplo comum aparece na relação entre marketing e comercial. O marketing pode investir em SEO, tráfego pago e marketing de conteúdo para gerar demanda. O comercial, por sua vez, precisa transformar essa demanda em oportunidades reais. Se não houver alinhamento sobre público prioritário, critérios de qualificação, discurso de venda e acompanhamento de indicadores, o resultado tende a ficar abaixo do potencial.

O COO contribui para organizar essa conversa. Ele ajuda a entender onde estão os ruídos, quais processos precisam ser revistos e quais responsabilidades devem ser melhor definidas.

O mesmo vale para a relação com parceiros externos. Uma agência de marketing pode ter uma entrega muito mais estratégica quando recebe contexto sobre metas comerciais, posicionamento, capacidade operacional e desafios reais da empresa. Uma consultoria de branding também tende a gerar mais valor quando seu trabalho não fica restrito à comunicação, mas se conecta à cultura, ao atendimento, ao discurso comercial e à experiência entregue.

Nesse sentido, o COO atua como uma liderança de integração. Ele ajuda a manter as engrenagens funcionais porque entende que crescimento depende menos de esforços isolados e mais da capacidade de fazer as áreas trabalharem com coerência.

  1. Radar atento para antecipar mudanças

O COO também precisa manter um olhar atento para sinais de mudança. Essa atenção vale tanto para o ambiente interno quanto para o mercado.

Dentro da empresa, ele acompanha indicadores, produtividade, gargalos, capacidade dos times, qualidade da entrega e desempenho dos processos. Fora dela, observa comportamento dos clientes, movimentos da concorrência, mudanças tecnológicas, novas exigências do mercado e transformações que possam impactar o negócio.

Essa função é importante porque muitos problemas não surgem de forma repentina. Eles dão sinais antes.

Uma queda gradual na conversão pode indicar desalinhamento entre campanha e oferta. O aumento do custo de aquisição pode mostrar dependência excessiva de mídia paga. A dificuldade do time comercial em avançar negociações pode revelar uma proposta de valor pouco clara. O baixo aproveitamento de conteúdos bem posicionados em SEO pode indicar que o tráfego gerado não está conectado à jornada de compra.

O COO ajuda a empresa a ler esses sinais com mais precisão.

Isso não significa que ele precise ser especialista em todos os temas, mas deve ter repertório para fazer as perguntas certas. 

  • O que está travando a operação? 
  • O problema está no canal, no processo, no discurso ou na entrega? 
  • A empresa precisa investir mais ou organizar melhor o que já faz? 
  • O time tem estrutura para absorver a demanda gerada?

Esse olhar preventivo evita que a empresa aja apenas quando o problema já virou urgência. Em vez de reagir a cada oscilação, o COO contribui para decisões mais consistentes e conectadas à realidade do negócio.

  1. Impulsionar a excelência operacional, cultural e tecnológica

A excelência operacional é uma das frentes mais associadas ao trabalho do COO. Porém, ela não deve ser entendida apenas como produtividade ou redução de custos.

Uma operação excelente é aquela que permite à empresa entregar melhor, decidir com mais clareza e crescer com menos perda de energia. Para isso, o COO precisa atuar em três dimensões que se influenciam o tempo todo: processos, cultura e tecnologia.

Os processos organizam a rotina. A cultura orienta comportamentos. A tecnologia amplia a capacidade de gestão, análise e execução. Quando essas dimensões não estão alinhadas, a empresa cria soluções parciais.

Um CRM, por exemplo, não resolve sozinho a relação entre marketing e comercial. Ele precisa estar conectado a um processo claro de registro, qualificação, abordagem e acompanhamento. Uma ferramenta de automação não melhora a experiência do cliente se a jornada estiver mal desenhada. Um dashboard não gera inteligência se a liderança não sabe quais decisões precisa tomar a partir dos dados.

O COO atua para evitar esse tipo de desconexão.

No marketing, isso pode envolver fluxos mais claros de briefing, aprovação, análise de campanhas e integração com vendas. No comercial, pode passar pela revisão do funil, dos indicadores de conversão e da forma como o time registra informações. Na gestão da marca, pode significar alinhar o posicionamento definido por uma consultoria de branding com a experiência real entregue pela empresa.

A cultura também entra nessa equação. Uma empresa pode ter processos bem desenhados, mas se as pessoas não entendem seu papel dentro da estratégia, a execução fica frágil. Da mesma forma, uma cultura colaborativa perde força se os times não têm clareza sobre prioridades, responsabilidades e formas de acompanhamento.

O trabalho do COO é impulsionar essa maturidade sem transformar a empresa em uma estrutura engessada. O objetivo é criar métodos para que a operação funcione melhor, não burocracia para justificar controle.

  1. Trabalhar diretamente com o conselho administrativo

Em empresas que possuem conselho administrativo, o COO pode atuar como uma ponte entre a estratégia discutida pela alta liderança e a realidade operacional da organização.

O conselho costuma olhar para crescimento, governança, riscos, expansão, rentabilidade e sustentabilidade do negócio. O COO contribui levando uma leitura concreta sobre a capacidade da empresa de executar as decisões discutidas nesse nível.

Essa participação é relevante porque muitas decisões estratégicas exigem uma avaliação operacional cuidadosa. Expandir para um novo mercado, aumentar investimento em comunicação, lançar uma nova linha de produtos, reposicionar a marca ou acelerar a área comercial são movimentos que dependem de estrutura.

O COO ajuda a responder questões como: 

  • A empresa tem processos para sustentar esse crescimento? 
  • Os times estão preparados? 
  • A tecnologia atual suporta a demanda? 
  • A experiência do cliente será preservada? 
  • O posicionamento da marca está alinhado à entrega? 
  • O comercial tem discurso compatível com a proposta de valor?

Para marketing e comercial, essa ponte também é importante. Quando o COO participa dessas discussões, as métricas dessas áreas podem ganhar uma leitura mais estratégica. SEO deixa de ser analisado apenas por tráfego e passa a ser observado como construção de autoridade e geração de demanda qualificada. Mídia paga deixa de ser medida apenas por cliques e leads, sendo avaliada também pela contribuição para pipeline, conversão e receita. Branding deixa de ser visto apenas como comunicação e passa a ser entendido como ativo de diferenciação e reputação.

Essa mudança de leitura qualifica a tomada de decisão. O COO ajuda a transformar dados operacionais em argumentos de negócio.

  1. Gerenciar talentos de forma criativa

O COO também tem participação relevante na forma como os talentos são organizados dentro da empresa. Embora a gestão de pessoas tenha forte relação com o RH e com as lideranças diretas, a operação depende da estrutura correta dos times.

Em empresas que crescem rápido, é comum que algumas áreas acumulem responsabilidades demais. O marketing pode ficar responsável por conteúdo, mídia, marca, SEO, eventos, redes sociais, relatórios, CRM e demandas internas. O comercial precisa vender, registrar dados, acompanhar propostas, lidar com objeções e manter previsibilidade. Sem clareza de prioridades, a rotina se torna reativa.

O COO ajuda a avaliar se a estrutura atual é compatível com os objetivos da empresa.

Isso envolve entender quais competências precisam ser desenvolvidas internamente, quais atividades podem ser otimizadas, quais processos devem ser redesenhados e em quais situações faz sentido contar com parceiros externos.

Gerenciar talentos de forma criativa não significa apenas contratar mais pessoas. Muitas vezes, significa redistribuir responsabilidades, eliminar tarefas que não geram valor, melhorar a colaboração entre áreas e criar condições para que os profissionais atuem com mais foco.

O COO contribui para que a empresa não dependa apenas de esforço individual. Seu papel é ajudar a construir uma operação em que pessoas, processos e parceiros trabalhem com mais clareza.

Como o COO conecta operação, marketing e comercial

Como vimos até aqui, uma das contribuições mais relevantes do COO é reduzir a distância entre áreas que dependem umas das outras, mas nem sempre trabalham de forma coordenada.

Marketing quer gerar demanda, enquanto o comercial quer oportunidades qualificadas. Atendimento quer clientes mais bem informados, enquanto produto precisa entender objeções e necessidades do mercado. O financeiro quer previsibilidade, enquanto a liderança quer crescimento com controle. Todas essas demandas fazem sentido, mas podem entrar em conflito quando não há uma visão integrada.

O COO atua justamente nesse ponto observando como as decisões de uma área impactam as demais e ajuda a criar uma rotina mais coordenada entre estratégia, execução e análise.

 

Frente do negócio Como o COO contribui Impacto para marketing e comercial
Geração de demanda Ajuda a conectar campanhas, canais e capacidade de atendimento Melhora o aproveitamento de leads e reduz desperdícios
SEO e conteúdo Apoia a integração entre estratégia orgânica, jornada do cliente e objetivos comerciais Faz o conteúdo trabalhar além do tráfego, com foco em demanda qualificada
Mídia paga Avalia se a operação consegue absorver o volume gerado pelas campanhas Evita investimento em aquisição sem estrutura de conversão
Branding Conecta promessa de marca, cultura interna e experiência entregue Torna o posicionamento mais consistente na prática
Comercial Organiza processos, indicadores e passagem de informações entre áreas Melhora previsibilidade, qualificação e conversão
Tecnologia Apoia a escolha e o uso de ferramentas de gestão, CRM, automação e dados Reduz perda de informação e melhora a leitura de performance
Experiência do cliente Identifica gargalos entre venda, entrega e relacionamento Ajuda a alinhar expectativa, entrega e reputação

Essa tabela mostra um ponto importante: o COO ajuda a empresa a criar condições para que marketing e comercial gerem resultado com mais consistência.

 

Para acompanhar mais análises sobre comunicação, marca, mídia, performance e estratégia empresarial, continue acompanhando o blog do Grupo OM. Nossos conteúdos reúnem reflexões para empresas que buscam decisões mais consistentes em marketing, vendas e crescimento.

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NCT: O que é?

Em ambientes de marketing cada vez mais pressionados por performance, eficiência e clareza estratégica, um dos maiores desafios está em transformar essas metas em uma direção compreensível, acionável e acompanhável por todo o time.

É nesse contexto que entra o NCT. 

A sigla NCT vem de Narratives, Commitments and Tasks, ou, em português, Narrativas, Compromissos e Tarefas. Trata-se de um framework de definição e acompanhamento de objetivos que conecta a estratégia ao trabalho do dia a dia, criando uma linha clara entre o motivo pelo qual uma empresa quer avançar, os compromissos que precisa assumir e as tarefas necessárias para chegar lá.

Esse modelo pode ser especialmente útil porque ajuda a organizar prioridades em um cenário cheio de frentes simultâneas: marca, mídia, conteúdo, CRM, SEO, vendas, dados, eventos, campanhas e relacionamento com o cliente. Sem uma estrutura clara, o time corre o risco de confundir movimento com progresso. 

Ao longo deste artigo, vamos falar sobre o que é NCT, como elaborar uma boa narrativa, como definir compromissos, qual a diferença entre NCTs e OKRs, como construir tarefas e como acompanhar esse framework dentro de uma operação de marketing.

Vamos juntos?

Como elaborar uma boa narrativa?

A narrativa é o ponto de partida do NCT. Ela explica o contexto, o desafio, a oportunidade e a direção estratégica que devem guiar o time.

Diferente de uma meta isolada, a narrativa não começa pelo número. Ela começa pelo raciocínio. Antes de dizer “queremos aumentar leads em 30%”, por exemplo, uma boa narrativa responde por que esse crescimento importa, qual problema ele resolve, qual oportunidade ele aproveita e como se conecta ao momento da empresa.

Em marketing, isso faz bastante diferença. Uma empresa pode querer aumentar o número de leads por vários motivos: expandir mercado, reduzir dependência de indicações, melhorar previsibilidade comercial, lançar uma nova solução, fortalecer presença em determinada região ou reposicionar a marca para outro público.

Cada um desses caminhos exige decisões diferentes de canal, mensagem, investimento, conteúdo e mensuração. Por isso, a narrativa funciona como um norte estratégico. Ela dá contexto para os indicadores de marketing e evita que o time escolha ações apenas porque “sempre foi feito assim” ou porque “o concorrente está fazendo”.

Uma boa narrativa costuma reunir quatro elementos:

Elemento Função dentro da narrativa Exemplo em marketing
Contexto Explica o momento atual da empresa ou do mercado A empresa cresceu em indicação, mas precisa ampliar aquisição digital
Problema ou oportunidade Mostra o que precisa ser resolvido ou aproveitado O CAC está subindo e a conversão comercial está instável
Direção estratégica Indica o caminho escolhido Fortalecer canais orgânicos e melhorar qualificação dos leads
Resultado esperado Define o impacto desejado Aumentar previsibilidade de geração de demanda com menor dependência de mídia paga

Uma narrativa bem escrita não precisa ser longa. Ela precisa ser clara. Um bom exemplo seria:

“Nos próximos seis meses, precisamos fortalecer a geração de demanda qualificada para reduzir a dependência de indicações e melhorar a previsibilidade comercial. Para isso, vamos estruturar uma estratégia integrada de conteúdo, SEO, mídia paga e nutrição, conectando aquisição, qualificação e vendas em uma jornada mais mensurável.”

Perceba que essa narrativa não se limita a uma métrica. Ela orienta decisões e a partir dela, o time consegue discutir canais, prioridades, orçamento, responsabilidade e indicadores.

Essa é uma das grandes vantagens dos NCTs: antes de acelerar a execução, eles obrigam a empresa a organizar a lógica da estratégia. 

Definição dos compromissos no NCT

Depois da narrativa, entram os compromissos. Eles traduzem a direção estratégica em entregas mensuráveis, objetivas e assumidas pelo time.

No NCT, os compromissos funcionam como promessas de resultado. Eles devem ser específicos o suficiente para indicar avanço real, mas flexíveis o bastante para permitir ajustes de rota ao longo do ciclo.

Em uma operação de marketing, os compromissos podem envolver crescimento de tráfego qualificado, melhoria na taxa de conversão, redução de CAC, aumento de LTV, evolução do ticket médio, fortalecimento de posicionamento ou melhoria da integração entre marketing e vendas.

A lógica é simples: a narrativa explica o porquê; os compromissos definem o que será alcançado; as tarefas mostram como isso será feito.

  1. Think it

A primeira etapa é pensar estrategicamente. Antes de transformar tudo em plano de ação, o time precisa entender o cenário.

No marketing, essa fase envolve análise de dados, diagnóstico de canais, revisão de posicionamento, entendimento da jornada do cliente e avaliação do mix de marketing. É o momento de sair do achismo e olhar para o que realmente está acontecendo.

Algumas perguntas ajudam:

Pergunta Por que é importante
Quais canais mais contribuem para aquisição hoje? Ajuda a entender dependências e oportunidades
Qual é o CAC por canal? Mostra a eficiência dos investimentos
Qual é o LTV dos clientes adquiridos por cada frente? Ajuda a avaliar qualidade, não apenas volume
Quais conteúdos geram tráfego, leads ou influência comercial? Conecta marketing de conteúdo a resultado
Onde há perda entre lead, oportunidade e venda? Aproxima marketing e vendas

Essa etapa também ajuda a evitar compromissos superficiais. Por exemplo, “aumentar seguidores” pode parecer uma meta positiva, mas talvez não esteja conectada à narrativa da empresa. Já “aumentar a geração de leads qualificados em segmentos estratégicos” pode estar muito mais alinhado ao crescimento do negócio.

  1. Build it

Com o diagnóstico em mãos, é hora de construir os compromissos.

Um compromisso precisa ser claro, mensurável e conectado à narrativa. Ele também precisa ser realista dentro do ciclo definido. Em geral, frameworks de NCT trabalham com compromissos que podem ser acompanhados em períodos como trimestre, semestre ou ciclos estratégicos menores, sempre com conexão direta entre contexto, resultado e execução.

O ponto central é que o compromisso precisa ser algo que o time possa assumir. Ele não deve ser uma intenção vaga, como “melhorar a marca”, nem uma tarefa operacional, como “subir cinco posts por semana”. O compromisso fica no meio do caminho: é uma entrega estratégica com impacto mensurável.

  1. Launch it

A terceira etapa é colocar o NCT em movimento.

Depois que narrativa e compromissos estão definidos, o time precisa transformar a estratégia em plano de execução. É aqui que entram as tarefas, os responsáveis, os prazos, as ferramentas de acompanhamento e os rituais de revisão.

No marketing, essa fase pode envolver:

  • criação de calendário editorial;
  • planejamento de mídia;
  • produção de landing pages;
  • revisão de campanhas;
  • construção de dashboards;
  • integração com CRM;
  • briefing para criação;
  • alinhamento com equipe comercial;
  • otimização de SEO;
  • análise de performance por canal.

O importante é que cada tarefa exista porque contribui para um compromisso. Se uma tarefa não ajuda a cumprir nenhum compromisso, talvez ela precise ser revista. 

Quais as vantagens dos NCTs?

Os NCTs oferecem uma vantagem importante para empresas que precisam alinhar estratégia, execução e mensuração sem criar uma estrutura excessivamente pesada.

No marketing, isso é especialmente relevante porque os times costumam trabalhar com muitos indicadores ao mesmo tempo. Há métricas de visibilidade, engajamento, aquisição, conversão, receita, retenção e reputação. Sem um método de organização, tudo parece importante. E quando tudo é prioridade, nada é prioridade de verdade.

Entre as principais vantagens dos NCTs, estão:

Vantagem Como aparece na operação
Clareza estratégica O time entende o motivo das ações, não apenas a lista de entregas
Foco Os compromissos ajudam a separar prioridades de distrações
Conexão com execução As tarefas ficam ligadas a resultados esperados
Melhor acompanhamento A empresa consegue revisar progresso com base em compromissos claros
Mais alinhamento entre áreas Marketing, vendas, produto e liderança trabalham com a mesma narrativa

Outra vantagem é a comunicação interna. Uma narrativa bem construída facilita o alinhamento entre liderança e operação. Em vez de apresentar apenas uma planilha de metas, o gestor consegue explicar o racional por trás das decisões.

Isso ajuda especialmente em projetos que envolvem diferentes áreas. Uma campanha de lançamento, por exemplo, pode exigir participação de marketing, comercial, atendimento, produto, BI e diretoria. Com NCTs, todos entendem não só suas tarefas, mas o compromisso maior que está sendo perseguido.

O que constitui um bom compromisso no NCT?

Um bom compromisso é aquele que traduz a narrativa em resultado concreto.

Ele não deve ser genérico, amplo demais ou dependente de fatores impossíveis de controlar. Também não deve ser uma simples lista de tarefas. O compromisso precisa representar um avanço relevante para a estratégia.

Um bom compromisso costuma ter cinco características:

Critério Explicação Exemplo
Especificidade Deixa claro o que será alcançado Aumentar leads qualificados em empresas de médio porte
Mensurabilidade Permite acompanhamento objetivo Crescer 20% em MQLs no trimestre
Conexão estratégica Responde à narrativa definida Fortalecer aquisição em segmentos prioritários
Responsabilidade Tem dono ou time responsável Marketing de performance e conteúdo
Prazo Tem ciclo definido Até o fim do trimestre

Em marketing, um compromisso fraco seria: “melhorar os resultados digitais”.

Um compromisso mais forte seria: “aumentar em 20% o volume de leads qualificados vindos de SEO e mídia paga no próximo trimestre, mantendo o CAC dentro da meta definida”.

Esse segundo exemplo é melhor porque combina crescimento, canal, qualidade, prazo e eficiência. Ele também abre espaço para análise de indicadores de marketing, como taxa de conversão, custo por lead, CAC, LTV e Ticket médio.

Ainda assim, o compromisso não precisa ser perfeito desde o primeiro ciclo. Muitas empresas começam com compromissos mais amplos e amadurecem o modelo com o tempo. O mais importante é criar o hábito de conectar intenção, entrega e acompanhamento.

Diferença entre OKRs e NCTs

Os NCTs são frequentemente comparados aos OKRs porque ambos ajudam empresas a organizar objetivos, metas e execução. No entanto, há diferenças importantes entre os dois modelos.

OKR significa Objectives and Key Results, ou Objetivos e Resultados-Chave. É um framework bastante conhecido para definição de metas, usado por empresas de diferentes portes e setores. Já o NCT trabalha com três camadas: narrativa, compromissos e tarefas. A principal diferença está no papel do contexto. Enquanto os OKRs normalmente partem de um objetivo e seus resultados-chave, os NCTs começam pela narrativa, dando mais peso ao “porquê” antes da definição dos compromissos.

Para te ajudar a compreender, fizemos uma comparação:

Aspecto OKRs NCTs
Estrutura Objetivos e resultados-chave Narrativa, compromissos e tarefas
Ponto de partida Meta ou objetivo estratégico Contexto e direção estratégica
Foco Medir avanço em relação a resultados-chave Conectar estratégia, compromisso e execução
Uso comum Gestão de metas e performance Alinhamento estratégico e execução contextualizada
Risco comum Virar lista de métricas sem contexto Virar narrativa bonita sem rigor de acompanhamento

Na prática, os OKRs podem funcionar muito bem para empresas que já têm maturidade em gestão por objetivos. Porém, em times que sentem dificuldade para conectar meta e execução, os NCTs podem ser uma alternativa interessante.

Para um gerente de marketing, a diferença é bastante prática. Um OKR poderia ser:

 

Objetivo Resultado-chave
Aumentar eficiência da aquisição digital Reduzir CAC em 15%
Aumentar conversão de landing pages em 20%
Gerar 30% mais MQLs

Já um NCT começaria assim:

Camada Exemplo
Narrativa Precisamos melhorar a eficiência da aquisição digital porque o custo por oportunidade cresceu e a área comercial precisa de leads mais qualificados para sustentar o crescimento
Compromissos Reduzir CAC em 15%, aumentar conversão das páginas estratégicas em 20% e elevar MQLs qualificados em 30%
Tarefas Revisar campanhas, otimizar landing pages, produzir novos conteúdos, ajustar segmentação e melhorar integração com CRM

A diferença pode parecer sutil, mas muda a forma como o time trabalha. O NCT força uma conexão mais explícita entre cenário, decisão e execução.

Como construir tarefas no NCT?

As tarefas são a camada operacional dos NCTs. Elas representam o trabalho que precisa ser feito para cumprir os compromissos.

Aqui, a grande armadilha é criar tarefas demais. Times de marketing costumam ter facilidade em gerar listas enormes de ações. O problema é que uma lista grande não necessariamente indica uma estratégia forte. Às vezes, indica apenas que o time abriu muitas abas, no navegador e na vida.

Para construir boas tarefas, o ideal é partir de cada compromisso e perguntar: “quais entregas realmente movem esse resultado?”.

Por exemplo, se o compromisso é reduzir o CAC em campanhas de mídia paga, as tarefas podem incluir:

Compromisso Tarefas conectadas
Reduzir CAC em 15% nos canais pagos Revisar segmentações das campanhas
Analisar criativos com menor custo por conversão
Testar novas páginas de destino
Ajustar verba por canal e etapa do funil
Criar relatório semanal de eficiência

Se o compromisso é aumentar tráfego orgânico qualificado, as tarefas podem ser:

 

Compromisso Tarefas conectadas
Aumentar tráfego orgânico em páginas estratégicas Fazer auditoria de SEO
Mapear palavras-chave por intenção de busca
Atualizar conteúdos com maior potencial
Criar novos artigos para temas prioritários
Melhorar links internos e CTAs

O ponto é que cada tarefa precisa ter vínculo com um compromisso. Isso evita que o time se perca em ações soltas, como posts, campanhas, relatórios ou reuniões que consomem energia, mas não necessariamente aproximam a empresa do resultado esperado.

Uma boa tarefa tem responsável, prazo, critério de conclusão e relação clara com o compromisso. Ela não precisa ser complexa. Precisa ser útil.

Processos de acompanhamento de NCTs

A implementação de NCTs exige acompanhamento constante. Sem isso, o framework vira apenas mais um documento bonito e esquecido. 

O acompanhamento deve servir para três objetivos principais:

Objetivo Pergunta central
Medir progresso Estamos avançando nos compromissos?
Identificar bloqueios O que está impedindo a execução?
Ajustar rota O que precisa mudar para preservar a narrativa?

Em marketing, o acompanhamento pode acontecer semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente, dependendo do ciclo de trabalho. Campanhas de mídia e performance podem exigir revisões mais frequentes. Já iniciativas de marca, conteúdo e SEO podem ter ciclos de análise mais longos.

O importante é que o time não acompanhe apenas tarefas concluídas. Também é preciso avaliar se essas tarefas estão gerando impacto nos compromissos.

Por exemplo: publicar oito artigos no blog pode ser uma tarefa concluída. Mas o compromisso talvez seja aumentar o tráfego qualificado ou gerar oportunidades comerciais. Nesse caso, o acompanhamento precisa ir além do volume publicado e observar métricas como ranqueamento, acessos orgânicos, conversão, leads assistidos e influência no pipeline.

Como monitorar NCTs?

Para monitorar NCTs, a empresa pode criar uma estrutura simples com três níveis de acompanhamento.

Nível O que acompanhar Exemplo em marketing
Narrativa Se o contexto e a direção continuam válidos A estratégia de aquisição ainda responde ao cenário atual?
Compromissos Se os resultados estão avançando O CAC está reduzindo? O LTV está aumentando?
Tarefas Se as entregas estão sendo feitas As campanhas, conteúdos e testes foram executados?

No caso de marketing, alguns indicadores ajudam a monitorar o avanço:

  • CAC por canal;
  • LTV por perfil de cliente;
  • Ticket médio;
  • taxa de conversão por etapa do funil;
  • tráfego orgânico;
  • taxa de conversão de landing pages;
  • custo por lead;
  • receita influenciada por marketing;
  • taxa de abertura e clique em fluxos de nutrição;
  • participação de cada canal no mix de marketing.

O ideal é evitar dashboards enormes, que parecem impressionantes mas dificultam a tomada de decisão. Um bom acompanhamento de NCTs deve priorizar os indicadores diretamente ligados aos compromissos.

Se o compromisso é melhorar a eficiência de aquisição, CAC e conversão importam mais do que curtidas. Se o compromisso é fortalecer autoridade, tráfego qualificado, backlinks, buscas de marca e engajamento em conteúdos estratégicos podem ser mais relevantes. Se o compromisso é apoiar vendas, o foco deve estar em MQLs, SQLs, oportunidades, ciclo comercial e receita influenciada.

Como implementar NCTs na sua empresa

A implementação de NCTs pode começar de forma simples. Não é necessário reformular toda a gestão da empresa de uma vez. Para muitos times de marketing, o melhor caminho é testar o framework em um projeto, trimestre ou frente estratégica.

Um processo possível seria:

Etapa Ação
1. Escolher uma frente prioritária Exemplo: aquisição digital, lançamento de produto, branding ou retenção
2. Escrever a narrativa Contextualizar o desafio, a oportunidade e a direção estratégica
3. Definir compromissos Criar de 3 a 5 entregas mensuráveis ligadas à narrativa
4. Desdobrar tarefas Listar ações necessárias para cumprir cada compromisso
5. Definir responsáveis Atribuir donos por compromisso e por tarefa
6. Criar rituais de acompanhamento Revisar progresso, bloqueios e aprendizados
7. Ajustar o modelo Refinar narrativa, indicadores e tarefas a cada ciclo

Para uma empresa que busca amadurecer sua operação de marketing, os NCTs podem ajudar a organizar prioridades entre áreas internas e parceiros externos. Isso vale especialmente quando a marca trabalha com agências de marketing, times de mídia, criação, conteúdo, BI, tecnologia e comercial.

Afinal, quando diferentes especialistas atuam sobre a mesma estratégia, o alinhamento precisa ser muito bem costurado. A narrativa ajuda a manter todos olhando para a mesma direção. Os compromissos ajudam a medir avanço. As tarefas ajudam a tirar a estratégia do papel.

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ICE Score: como priorizar ações de marketing e growth

Toda equipe de marketing conhece bem esse cenário: há dezenas de ideias na mesa, várias campanhas possíveis, múltiplos canais para testar, melhorias pendentes no site, demandas de vendas, oportunidades em SEO, ajustes em mídia paga e, claro, aquela sensação de que tudo é urgente. O problema é que nem tudo pode ser feito ao mesmo tempo, e escolher no “feeling” pode custar tempo, dinheiro e foco estratégico.

É nesse contexto que o ICE Score aparece como a metodologia que ajuda a organizar ideias, comparar oportunidades e definir prioridades com base em critérios simples: impacto, confiança e facilidade.

Mais do que uma fórmula, o ICE Score funciona como uma lente para transformar hipóteses em decisões mais claras. Ele não elimina a intuição, mas evita que ela dirija sozinha sem GPS. Para gerentes de growth marketing e analistas de marketing, essa matriz pode apoiar desde a priorização de testes de conversão até a escolha de pautas de marketing de conteúdo, campanhas de mídia paga, melhorias de SEO e ações integradas com vendas.

Ao longo deste artigo, vamos falar sobre o que é ICE Score, como calcular essa pontuação, como aplicar a matriz em ações de marketing e de que forma uma agência de marketing pode usar esse recurso para orientar decisões mais estratégicas.

vamos juntos?

O que é ICE Score?

Como falamos anteriormente, o ICE Score é uma metodologia de priorização usada para avaliar ideias, ações ou experimentos com base em três critérios: Impacto, Confiança e Facilidade. A sigla ICE vem justamente das iniciais em inglês desses fatores: Impact, Confidence and Ease.

Na prática, a ferramenta ajuda equipes a responderem uma pergunta frequente: qual iniciativa merece ser priorizada agora?

Em vez de escolher uma ação apenas porque parece interessante, porque alguém pediu com urgência ou porque está “na moda”, o ICE Score propõe uma análise mais objetiva. Cada ideia recebe uma nota para impacto, confiança e facilidade. Depois, essas notas são combinadas para gerar uma pontuação final.

Essa lógica é muito útil em ambientes de growth, onde o volume de hipóteses costuma ser alto. Um time pode querer testar uma nova landing page, revisar a jornada de nutrição, criar uma sequência de e-mail marketing, otimizar um conteúdo para SEO, lançar uma campanha de mídia paga, produzir um material rico ou ajustar o discurso comercial com o time de vendas.

Todas essas ideias podem ser boas. A questão é: qual delas tem maior potencial, menor risco e melhor relação entre esforço e resultado?

É aí que entram os três pilares da matriz ICE.

Impacto

O primeiro critério do ICE Score é o impacto. Ele mede o quanto determinada ação pode contribuir para o resultado desejado.

Em marketing e growth, esse resultado pode variar conforme o objetivo da empresa. Pode ser aumento de tráfego qualificado, geração de leads, conversão em vendas, redução do custo de aquisição (CAC), melhora na taxa de conversão, crescimento da base de contatos, retenção de clientes ou fortalecimento de marca.

Uma ação com alto impacto é aquela que tem potencial para mudar de forma relevante um indicador importante. Por exemplo, ajustar uma landing page com alto volume de acessos pode ter impacto maior do que alterar um detalhe em uma página pouco visitada. Da mesma forma, revisar uma campanha de mídia paga com grande investimento pode trazer retorno mais expressivo do que otimizar um anúncio com orçamento reduzido.

No marketing de conteúdo, o impacto pode ser avaliado pelo potencial de uma pauta atrair tráfego orgânico qualificado, responder dúvidas decisivas da jornada de compra ou apoiar o time de vendas em objeções recorrentes.

Aqui, a pergunta central é: se essa ideia funcionar, quanto ela pode contribuir para o objetivo?

Confiança

O segundo critério é a confiança. Ele indica o nível de segurança que a equipe tem de que determinada ação realmente pode gerar o resultado esperado.

A confiança pode ser baseada em dados históricos, benchmarks, pesquisas, comportamento dos usuários, relatórios de campanhas, insights do CRM, feedbacks do time comercial, testes anteriores ou análises de mercado.

Por exemplo, se uma empresa percebe que muitos leads chegam por artigos comparativos no blog, pode haver alta confiança em novas pautas voltadas para comparação de soluções. Se uma campanha de mídia paga já demonstrou bom desempenho em determinado público, pode haver maior segurança ao testar novas variações criativas para esse mesmo segmento.

Por outro lado, uma ideia completamente nova, sem dados anteriores ou evidências claras, pode ter uma nota de confiança mais baixa. Isso não significa que ela deva ser descartada. Algumas apostas inovadoras começam justamente com pouca previsibilidade. Mas, dentro da matriz ICE, é importante registrar esse nível de incerteza.

A pergunta que guia esse critério é: quais evidências indicam que essa ação tem chance real de funcionar?

Facilidade

O terceiro critério é a facilidade. Ele avalia o quão simples, rápida ou viável é a execução da iniciativa.

Aqui entram fatores como tempo de produção, complexidade técnica, necessidade de aprovação, dependência de outras áreas, investimento financeiro, disponibilidade da equipe e volume de recursos envolvidos.

Uma ação fácil pode ser, por exemplo, alterar uma chamada de CTA em uma landing page, reaproveitar um conteúdo existente em uma régua de e-mails ou ajustar segmentações de uma campanha. Já uma ação mais complexa pode envolver desenvolvimento de uma nova funcionalidade, criação de uma grande campanha integrada, reformulação completa de um site ou produção de um estudo proprietário.

A facilidade é especialmente importante porque nem sempre a ação de maior impacto é a melhor para começar. Se ela exige muitos recursos e a equipe ainda não tem confiança suficiente, talvez seja melhor priorizar uma iniciativa menor, capaz de gerar aprendizado rápido.

Aspectos de marketing e growth que fortalecem o uso do ICE Score

O ICE Score funciona melhor quando não é usado de forma isolada. Ele ganha força quando está conectado a uma visão mais ampla de marketing, growth e negócios.

O primeiro aspecto importante é a clareza de objetivo. Antes de aplicar a matriz, a equipe precisa saber o que está tentando melhorar. Priorizar ideias para aumentar tráfego é diferente de priorizar ideias para gerar leads qualificados. Do mesmo modo, uma ação voltada para reconhecimento de marca pode ser avaliada de forma diferente de uma ação focada diretamente em vendas.

Outro ponto essencial é a integração entre canais. Em uma estratégia madura, SEO, mídia paga, marketing de conteúdo, social media, automação, CRM e vendas não devem funcionar como ilhas. O ICE Score pode ajudar justamente a comparar iniciativas de áreas diferentes, desde que todas estejam ligadas a um mesmo objetivo de negócio.

Por exemplo, um time pode avaliar três caminhos para melhorar a geração de leads:

  1. Produzir um novo artigo de fundo de funil com foco em SEO.
  2. Criar uma campanha de mídia paga para uma oferta específica.
  3. Ajustar o fluxo de nutrição para leads que já baixaram um material.

Cada uma dessas iniciativas têm impactos, níveis de confiança e dificuldades diferentes. A matriz ICE permite visualizar essas diferenças com mais clareza, evitando disputas baseadas apenas em preferência pessoal.

Além disso, o uso do ICE Score fortalece a cultura de experimentação. Em growth marketing, nem toda ideia nasce como certeza. Muitas iniciativas são hipóteses que precisam ser testadas, medidas e ajustadas. A matriz ajuda a organizar esse processo, priorizando aquilo que tem maior potencial de aprendizado ou retorno.

Para uma agência de marketing, o ICE Score também pode ser uma ferramenta de alinhamento com o cliente. Ele contribui para explicar por que determinada ação deve vir antes de outra, mostrando que a decisão não é aleatória, mas baseada em critérios estratégicos.

Isso melhora a transparência, reduz ruídos e torna o planejamento mais defensável. Em vez de dizer apenas “vamos fazer isso primeiro”, a equipe consegue demonstrar: “essa ação combina alto impacto, boa confiança e execução viável neste momento”.

Como calcular o ICE Score?

O cálculo do ICE Score é simples. Cada ideia recebe uma nota para os três critérios: impacto, confiança e facilidade. Normalmente, usa-se uma escala de 1 a 10, em que 1 representa uma pontuação muito baixa e 10 representa uma pontuação muito alta.

A fórmula mais comum é: ICE Score = Impacto + Confiança + Facilidade

Também é possível usar a média dos três fatores: ICE Score = (Impacto + Confiança + Facilidade) / 3

Na prática, as duas formas podem funcionar. A soma costuma ser mais direta para ranquear ideias, enquanto a média facilita a leitura quando a equipe quer manter a pontuação final na mesma escala de 1 a 10.

O mais importante não é a fórmula em si, mas a consistência da avaliação. Se uma equipe usa escala de 1 a 10, precisa aplicar os mesmos critérios em todas as ideias analisadas. Caso contrário, a matriz perde objetividade e vira apenas uma planilha bonita, o que é basicamente um PowerPoint usando terno.

Uma forma prática de aplicar o ICE Score é criar uma tabela com as seguintes colunas:

Ideia Impacto Confiança Facilidade ICE Score
Otimizar landing page principal 9 8 7 24
Criar novo artigo SEO de fundo de funil 8 7 8 23
Testar novo canal de mídia paga 7 5 6 18
Reformular todo o site 10 6 2 18

Nesse exemplo, a otimização da landing page aparece como prioridade porque combina alto impacto, boa confiança e execução relativamente viável. A reformulação completa do site pode ter grande impacto, mas a baixa facilidade reduz sua pontuação final.

Isso não significa que a reformulação do site não seja importante. Significa apenas que, no momento da priorização, talvez ela exija outro tipo de planejamento, orçamento ou fase de execução.

Exemplo de ICE Score

Imagine que uma empresa B2B deseja aumentar a geração de leads qualificados para o time de vendas. O time de marketing levanta quatro ideias principais:

  1. Criar uma campanha de mídia paga para uma landing page de diagnóstico gratuito.
  2. Produzir um artigo de SEO sobre uma dor específica do público.
  3. Atualizar um e-Book antigo com novos dados e novo design.
  4. Criar uma sequência de e-mails para leads que já demonstraram interesse.

Agora, a equipe avalia cada iniciativa:

Iniciativa Impacto Confiança Facilidade ICE Score
Campanha de mídia paga para diagnóstico 8 7 6 21
Artigo SEO sobre dor do público 7 8 8 23
Atualização de eBook antigo 6 7 5 18
Sequência de e-mails para leads interessados 9 8 7 24

Nesse cenário, a sequência de e-mails aparece como a maior prioridade. Isso acontece porque ela atua sobre uma base que já existe, tem relação direta com vendas e pode gerar impacto relevante sem exigir a criação de um novo ativo do zero.

O artigo SEO aparece em segundo lugar, com boa pontuação por unir confiança e facilidade. Ele pode não gerar resultado imediato como uma campanha paga, mas tem potencial de construir tráfego qualificado de forma contínua.

Já a campanha de mídia paga tem bom impacto, mas pode depender de orçamento, criação de peças, testes de segmentação e otimização constantes. Ainda assim, pode ser uma excelente ação quando integrada a uma oferta forte e a uma jornada de conversão bem desenhada.

Esse exemplo mostra um ponto importante: o ICE Score não serve para matar ideias, mas para organizar o momento certo de cada uma. Algumas ações são boas para agora. Outras são boas para depois. Outras precisam ser amadurecidas antes de receber investimento.

A matriz ICE pode ser adaptada?

Sim, a matriz ICE pode e deve ser adaptada conforme a realidade da empresa, do projeto e do nível de maturidade do time.

A versão tradicional trabalha com impacto, confiança e facilidade, mas algumas equipes ajustam os pesos dos critérios. Por exemplo, uma empresa em fase de crescimento acelerado pode dar mais peso ao impacto. Já uma empresa com recursos limitados pode valorizar mais a facilidade. Em contextos de alta pressão por resultado, a confiança pode ganhar maior importância.

Uma adaptação possível é usar pesos diferentes: ICE Score ponderado = (Impacto x 2) + Confiança + Facilidade

Nesse modelo, o impacto passa a ter mais influência na nota final. Isso pode fazer sentido quando o time quer priorizar ações com maior potencial de resultado, mesmo que sejam um pouco mais difíceis.

Outra adaptação é incluir critérios complementares, como custo, urgência, alinhamento estratégico ou potencial de aprendizado. No entanto, é preciso cuidado para não transformar uma ferramenta simples em uma matriz tão complexa que ninguém quer usar. O charme do ICE Score está justamente na objetividade.

Para áreas de marketing, algumas adaptações interessantes podem envolver perguntas específicas para cada critério.

No impacto:

  • A ação contribui para geração de demanda?
  • Pode melhorar conversão?
  • Tem potencial de apoiar vendas?
  • Ajuda a fortalecer posicionamento de marca?

Na confiança:

  • Há dados anteriores que sustentam a hipótese?
  • O comportamento do público indica essa oportunidade?
  • O time comercial já trouxe essa dor?
  • Existe volume de busca em SEO?
  • Há histórico de performance em mídia paga?

Na facilidade:

  • A equipe consegue executar rapidamente?
  • Depende de desenvolvimento?
  • Exige verba adicional?
  • Precisa de muitas aprovações?
  • Pode ser testada em pequena escala?

Com essas perguntas, o ICE Score passa a funcionar como um ritual de decisão. Ele estimula conversas melhores, reduz achismos e cria uma ponte entre criatividade e performance.

Gostou desse conteúdo e quer transformar ideias em decisões mais estratégicas? O Grupo OM combina inteligência de marketing, criatividade e performance para ajudar marcas a priorizarem ações com mais clareza, consistência e foco em resultados. Acompanhe o nosso blog e conheça novas formas de fortalecer sua estratégia de comunicação.

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Value Proposition Canvas: como alinhar cliente, proposta de valor e crescimento do negócio

Toda empresa quer vender mais, conquistar clientes melhores e se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo. Porém, quando olhamos para a rotina de gerentes comerciais e gerentes de marketing, percebemos que boa parte dos desafios não começa exatamente na venda, na campanha ou na negociação. 

Muitas vezes, o problema está antes: na forma como a empresa compreende o cliente e transforma essa compreensão em uma proposta de valor clara.

É nesse ponto que o Value Proposition Canvas (Canvas de Proposta de Valor) ganha relevância. A ferramenta ajuda negócios a conectarem produtos, serviços, comunicação e estratégia comercial às necessidades reais do público. Em vez de partir apenas da visão interna da empresa, o canvas organiza a análise a partir do que o cliente tenta resolver, do que ele espera ganhar e dos obstáculos que encontra no caminho.

Para equipes de marketing e vendas, esse tipo de clareza é essencial. Afinal, uma campanha só se torna mais eficiente quando comunica uma promessa que faz sentido. Da mesma forma, uma abordagem comercial só ganha força quando o vendedor entende quais dores precisam ser exploradas, quais ganhos devem ser evidenciados e como posicionar a solução de forma relevante. Inclusive, metodologias como spin selling se tornam mais poderosas quando existe uma proposta de valor bem construída, pois as perguntas comerciais passam a ser orientadas por uma visão mais profunda do cliente.

Ao longo deste artigo, você vai entender o que é Value Proposition Canvas, como ele se relaciona com o Business Model Canvas, qual sua conexão com Product Market Fit e como aplicar seus elementos para fortalecer estratégias de crescimento, comunicação e vendas.

Vamos juntos?

O que é o Business Model Canvas?

Antes de aprofundar o Value Proposition Canvas, vale começar pelo Business Model Canvas. Ele é uma ferramenta visual de planejamento estratégico criada para representar, de maneira simples e integrada, como uma empresa cria, entrega e captura valor.

Na prática, o Business Model Canvas funciona como um mapa do modelo de negócio. Ele reúne blocos essenciais, como segmentos de clientes, proposta de valor, canais, relacionamento com clientes, fontes de receita, recursos-chave, atividades-chave, parcerias e estrutura de custos.

Para gerentes comerciais e de marketing, essa ferramenta é útil porque amplia a visão sobre o negócio. Ela mostra que a venda não depende apenas de um bom discurso comercial e que o marketing não depende apenas de campanhas criativas. Ambos precisam estar conectados ao modelo de operação, ao público atendido, aos canais utilizados e à forma como a empresa gera receita.

Quando uma companhia analisa seu modelo de negócio por meio do Canvas, ela consegue responder perguntas importantes, como 

  • Quem é o cliente prioritário? 
  • Que problema a empresa resolve? 
  • Como esse valor chega até o mercado? 
  • Quais canais têm mais influência na decisão de compra? 
  • Que relacionamento precisa ser construído antes, durante e depois da venda?

Essas respostas são fundamentais para evitar desalinhamentos. Uma empresa pode ter um produto tecnicamente excelente, mas comunicar benefícios pouco relevantes para o cliente. Também pode ter um time comercial eficiente, mas atuar sobre segmentos que não enxergam valor suficiente na solução. E aí, o Business Model Canvas ajuda a enxergar essas conexões com mais clareza.

Como fortalecer a proposta de valor por meio de marketing e growth

Dentro do Business Model Canvas, a proposta de valor ocupa uma posição central. Ela representa o conjunto de benefícios que a empresa entrega para determinado segmento de clientes. No entanto, para que essa proposta deixe de ser uma frase bonita em uma apresentação institucional, ela precisa ser testada, comunicada, refinada e sustentada por ações consistentes de marketing e growth.

O marketing tem o papel de transformar a proposta de valor em percepção de valor. Isso significa traduzir atributos, diferenciais e benefícios em mensagens que o público compreenda, valorize e reconheça como relevantes. Uma solução pode reduzir custos, aumentar produtividade ou melhorar a experiência do cliente, mas essas vantagens precisam aparecer de forma clara nos canais certos, com argumentos adaptados à maturidade de cada público.

Já o growth contribui ao criar ciclos de experimentação. Em vez de assumir que uma mensagem, canal ou oferta funcionará de primeira, a empresa passa a testar hipóteses, medir respostas e otimizar continuamente suas ações. Isso pode envolver testes de landing pages, campanhas de tráfego pago, segmentações, jornadas de nutrição, abordagens comerciais, conteúdos educativos e provas sociais.

Nesse contexto, agências de marketing com visão estratégica podem apoiar empresas a conectar pesquisa, posicionamento, mídia, conteúdo, tecnologia e dados. Para negócios B2B, essa integração é especialmente importante porque a jornada de compra costuma ser mais longa, envolve múltiplos decisores e exige argumentos consistentes em diferentes etapas do funil.

Quando marketing e growth trabalham sobre uma proposta de valor bem definida, o investimento deixa de ser pulverizado em ações isoladas. A empresa passa a construir um sistema de crescimento mais coerente, em que cada campanha, conteúdo e abordagem comercial reforça o mesmo território estratégico.

Que tipo de negócio pode aplicar o Business Model Canvas?

O Business Model Canvas pode ser aplicado por empresas de diferentes portes, setores e níveis de maturidade. Startups usam a ferramenta para validar modelos de negócio e ajustar rapidamente suas hipóteses. Empresas consolidadas a utilizam para revisar posicionamento, lançar novas linhas de produtos, entrar em novos mercados ou repensar sua estratégia comercial.

Negócios B2B, por exemplo, podem aplicar o Canvas para entender melhor como diferentes segmentos geram receita e demandam abordagens distintas. Uma empresa que vende tecnologia para médias e grandes organizações talvez precise adaptar sua proposta de valor conforme fala com diretores financeiros, gerentes de operação ou líderes de marketing. Cada perfil enxerga valor por uma lente diferente.

Empresas de serviços também podem se beneficiar bastante. Escritórios de consultoria, agências de marketing, empresas de comunicação, negócios de tecnologia, indústrias e prestadores especializados conseguem usar o Canvas para organizar sua oferta, identificar gargalos na aquisição de clientes e encontrar oportunidades de diferenciação.

O ponto mais importante é entender que o Business Model Canvas não é exclusivo para negócios em fase inicial. Ele também serve como ferramenta de revisão estratégica. Em mercados que mudam rapidamente, revisitar o modelo de negócio ajuda a identificar se a proposta atual ainda faz sentido, se os canais continuam eficientes e se os clientes priorizados ainda são os mais promissores.

O que é Value Proposition Canvas?

O Value Proposition Canvas é uma ferramenta complementar ao Business Model Canvas, criada para aprofundar dois blocos fundamentais: o segmento de clientes e a proposta de valor. Enquanto o Business Model Canvas oferece uma visão ampla do negócio, o Value Proposition Canvas mergulha na relação entre o que o cliente precisa e o que a empresa oferece.

A lógica da ferramenta é simples, mas extremamente poderosa. De um lado, ela organiza o perfil do cliente, considerando suas tarefas, dores e ganhos esperados. Do outro, estrutura o mapa de valor da empresa, com produtos e serviços, analgésicos para dores e criadores de ganhos.

O objetivo é verificar se existe encaixe entre esses dois lados. Ou seja, se aquilo que a empresa vende realmente ajuda o cliente a realizar suas funções, reduzir seus problemas e alcançar os benefícios que considera importantes.

Para gerentes de marketing, o Value Proposition Canvas oferece insumos valiosos para posicionamento, mensagens, campanhas, conteúdos e segmentação. Para gerentes comerciais, ele ajuda a construir discursos mais consultivos, qualificar oportunidades com mais precisão e conduzir conversas de venda com maior profundidade.

Na prática, a ferramenta evita que a empresa fale apenas sobre si mesma. Em vez de concentrar a comunicação em funcionalidades, anos de mercado ou características internas, o negócio passa a demonstrar por que sua solução importa para o cliente. Essa mudança parece sutil, mas costuma separar marcas que apenas divulgam seus serviços daquelas que conseguem criar relevância real na decisão de compra.

O que é o Customer Profile no Value Proposition Canvas?

O Customer Profile, ou Perfil do Cliente, é o lado do Value Proposition Canvas dedicado a entender profundamente quem a empresa deseja atender. Ele não se limita a dados demográficos, cargo ou setor de atuação. O objetivo é compreender o contexto do cliente, suas responsabilidades, expectativas, dificuldades e critérios de decisão.

Para públicos como gerentes comerciais e gerentes de marketing, essa etapa é especialmente valiosa porque permite ir além das personas superficiais. Saber que o cliente é um decisor B2B, trabalha em uma empresa de médio porte e busca crescimento não é suficiente. É preciso entender que tipo de meta ele precisa cumprir, que obstáculos enfrenta internamente, quais riscos quer evitar e que resultados precisa apresentar para a diretoria.

O Customer Profile ajuda a estruturar essa análise em três partes: dores, funções e ganhos. Cada uma delas contribui para criar uma visão mais rica do cliente e, consequentemente, uma proposta de valor mais forte.

Quais são as dores do cliente?

As dores do cliente são todos os fatores que dificultam, atrasam, encarecem ou tornam mais arriscada a realização de uma tarefa. Elas podem ser funcionais, emocionais, financeiras, operacionais ou estratégicas.

No caso de um gerente de marketing, algumas dores podem envolver baixa geração de leads qualificados, dificuldade de provar ROI, campanhas com pouca integração ao comercial, excesso de canais sem estratégia clara, baixa diferenciação da marca ou pressão por resultados em prazos curtos.

Para um gerente comercial, as dores podem incluir leads pouco preparados, ciclos de venda longos, objeções repetitivas, baixa previsibilidade de receita, dificuldade de acessar decisores, desalinhamento entre discurso comercial e posicionamento da empresa ou falta de materiais de apoio para avançar negociações.

Mapear essas dores com precisão é essencial porque a proposta de valor precisa responder a problemas reais. Quando a empresa ignora essas barreiras, tende a comunicar benefícios genéricos. Quando as compreende, consegue criar mensagens mais específicas, ofertas mais relevantes e abordagens comerciais mais persuasivas.

Uma boa análise de dores também diferencia sintomas de causas. Por exemplo, “baixa conversão” pode ser apenas o sintoma. A causa pode estar em uma segmentação equivocada, em uma proposta pouco clara, em um discurso comercial desconectado da dor do cliente ou em uma jornada digital mal estruturada.

Quais são as funções do consumidor, ou Jobs to be done?

As funções do consumidor, conhecidas como Jobs to be done, representam aquilo que o cliente está tentando realizar. No contexto B2B, essas funções geralmente estão ligadas a responsabilidades profissionais, metas de negócio e demandas internas.

Um gerente de marketing pode ter a função de gerar demanda qualificada, fortalecer a marca, melhorar a performance das campanhas, posicionar a empresa em um novo mercado ou apoiar a área comercial com conteúdo e inteligência. Já um gerente comercial pode precisar aumentar receita, melhorar taxa de conversão, reduzir churn, organizar o funil de vendas, abrir novos segmentos ou tornar a equipe mais produtiva.

Essas funções não devem ser analisadas apenas de forma operacional. Também existem aspectos sociais e emocionais. Um gestor quer entregar resultados, mas também quer ganhar confiança da diretoria, reduzir inseguranças nas decisões, evitar desperdícios e mostrar domínio estratégico sobre sua área.

Quando uma empresa entende os Jobs to be done, ela consegue posicionar sua solução dentro da rotina real do cliente. Isso torna a comunicação mais concreta. Em vez de prometer “estratégias inovadoras”, por exemplo, uma empresa pode mostrar como ajuda o cliente a transformar investimento em marketing em oportunidades comerciais qualificadas.

Quais são os ganhos que o cliente procura?

Os ganhos representam os resultados positivos que o cliente deseja alcançar. Eles podem ser esperados, desejados, surpreendentes ou necessários para justificar a compra.

No caso de gerentes comerciais e de marketing, os ganhos mais buscados costumam envolver crescimento de receita, previsibilidade, eficiência, diferenciação, melhor aproveitamento do orçamento, integração entre áreas e maior clareza para tomada de decisão.

Também existem ganhos ligados à reputação interna. Um gestor que contrata uma solução estratégica quer demonstrar que fez uma escolha sólida. Por isso, valoriza parceiros capazes de apresentar métodos, dados, visão de mercado e capacidade de execução.

Ao mapear os ganhos, é importante diferenciar o que o cliente declara querer do que realmente influencia sua decisão. 

Ele pode dizer que busca “mais leads”, mas o ganho mais relevante talvez seja aumentar oportunidades com empresas de maior ticket. 

Pode dizer que quer “fortalecer a marca”, mas o objetivo de negócio pode ser sustentar uma expansão regional ou melhorar a percepção de valor antes de uma negociação comercial.

Essa leitura mais profunda evita que a empresa venda apenas entregáveis. O foco passa a estar nos resultados que esses entregáveis ajudam a construir.

O que é o Value Map no Value Proposition Canvas?

O Value Map, ou Mapa de Valor, é o lado do canvas dedicado à oferta da empresa. Ele descreve como produtos, serviços, recursos e diferenciais respondem ao perfil do cliente.

Esse bloco é importante porque muitas empresas conhecem bem o que vendem, mas têm dificuldade de conectar suas entregas às prioridades do cliente. O Value Map força a organização a olhar para a oferta sob a perspectiva do valor gerado.

Para preencher esse mapa, a empresa precisa listar seus produtos e serviços, identificar quais dores eles aliviam e apontar quais ganhos ajudam a criar. O objetivo não é escrever uma lista de características internas, mas demonstrar como a solução se encaixa no contexto do cliente.

Em uma estratégia de comunicação, esse exercício ajuda a transformar atributos em argumentos. Em uma estratégia comercial, ajuda a transformar benefícios em conversas mais consultivas. Em uma estratégia de growth, ajuda a formular hipóteses de teste mais conectadas ao mercado.

Produtos e serviços com demanda

A primeira parte do Value Map consiste em listar os produtos e serviços oferecidos pela empresa. No entanto, essa listagem precisa ser feita com cuidado. Nem tudo o que a empresa oferece possui o mesmo nível de relevância para determinado perfil de cliente.

Uma agência, por exemplo, pode oferecer branding, mídia paga, SEO, conteúdo, planejamento estratégico, BI, inbound marketing, social media e automação. Porém, para um gerente comercial que precisa melhorar a qualidade dos leads, os serviços mais relevantes podem ser estratégia de demanda, mídia orientada a performance, conteúdo para fundo de funil, CRM e integração entre marketing e vendas.

Já para um gerente de marketing que deseja reposicionar a marca antes de uma expansão, os serviços mais importantes podem envolver pesquisa, branding, planejamento de comunicação, campanhas institucionais, estratégia de canais e produção de conteúdo.

Por isso, o Value Map exige priorização. A empresa precisa identificar quais ofertas realmente respondem às demandas de cada segmento. Essa priorização evita comunicações extensas demais, apresentações comerciais pouco objetivas e propostas que tentam vender tudo ao mesmo tempo.

Quais os “analgésicos” para as dores do cliente?

Os analgésicos são os elementos da oferta que reduzem dores específicas do cliente. Eles mostram como a solução elimina obstáculos, diminui riscos, simplifica processos ou melhora resultados.

Se a dor do cliente é a baixa previsibilidade de geração de demanda, um analgésico pode ser a construção de um funil com indicadores claros, metas por etapa e campanhas integradas ao CRM. Se a dor é o desalinhamento entre marketing e comercial, o analgésico pode ser a criação de uma jornada compartilhada, com definição de SLA, critérios de qualificação e conteúdos de apoio à venda.

Se a dor é a dificuldade de comprovar retorno, o analgésico pode estar em dashboards, relatórios executivos, modelagem de indicadores e análise contínua de performance. Dessa forma, o cliente não compra apenas uma campanha ou um serviço. Ele compra a redução de uma incerteza relevante para seu negócio.

Esse raciocínio também melhora a comunicação. Uma empresa que entende seus analgésicos consegue criar mensagens mais fortes, pois fala diretamente sobre o problema que o cliente quer resolver. Isso aumenta a identificação e reduz a sensação de que a marca está apenas repetindo promessas comuns do mercado.

Criador de ganhos para o consumidor

Os criadores de ganhos representam como a oferta ajuda o cliente a conquistar os resultados desejados. Eles estão ligados ao lado positivo da proposta de valor, como crescimento, eficiência, diferenciação, reconhecimento, produtividade e inovação.

No contexto de marketing e vendas, criadores de ganhos podem incluir aumento da taxa de conversão, maior qualidade das oportunidades, melhor aproveitamento do investimento em mídia, fortalecimento da autoridade da marca, redução do ciclo comercial e melhoria da experiência do cliente ao longo da jornada.

Para que esses ganhos sejam convincentes, precisam ser conectados a evidências. Cases, dados de performance, benchmarks, diagnósticos, pesquisas e simulações ajudam a tornar a promessa mais tangível. Afinal, gestores B2B costumam avaliar soluções com cautela, especialmente quando o investimento impacta metas e orçamento.

Um bom criador de ganhos também precisa conversar com as prioridades estratégicas do cliente. Se a empresa quer crescer em uma nova região, o ganho pode estar em construir presença local e gerar demanda qualificada nesse mercado. Se deseja aumentar o ticket médio, o ganho pode estar em reposicionar a oferta e atrair clientes com maior percepção de valor.

 

Benefícios do uso do Value Proposition Canvas

O uso do Value Proposition Canvas traz benefícios que vão além do planejamento estratégico. Quando bem aplicado, ele melhora a qualidade das decisões de marketing, vendas, produto, inovação e atendimento.

Para explicar melhor, trouxemos 6 benefícios dessa ferramenta. 

  1. Design centrado no cliente

O primeiro benefício do Value Proposition Canvas é fortalecer uma lógica de design centrado no cliente. Isso significa criar produtos, serviços e mensagens a partir do que o público realmente valoriza.

Essa abordagem reduz o risco de decisões baseadas apenas em opiniões internas. Em vez de discutir qual diferencial a empresa acha mais importante, o time passa a avaliar quais diferenciais importam para o cliente, em que contexto aparecem e como influenciam a decisão de compra.

Para negócios B2B, essa visão é decisiva porque a compra costuma envolver múltiplos interesses. Um diretor pode se preocupar com retorno financeiro, enquanto um gerente busca eficiência operacional e a equipe usuária valoriza facilidade de implementação. O Value Proposition Canvas ajuda a enxergar essas camadas.

  1. Compreensão clara das necessidades do cliente

Outro benefício é a compreensão mais clara das necessidades do cliente. Ao mapear dores, ganhos e funções, a empresa deixa de trabalhar com suposições vagas e passa a organizar informações de maneira acionável.

Essa clareza melhora pesquisas, entrevistas, diagnósticos comerciais, segmentação de campanhas e produção de conteúdo. Também facilita o treinamento de equipes, pois todos passam a compartilhar uma visão mais consistente sobre o público.

Quando o time comercial entende melhor as dores do cliente, consegue fazer perguntas mais relevantes. Quando o marketing entende melhor os ganhos esperados, consegue construir mensagens mais atrativas. Quando ambas as áreas compartilham essa leitura, a jornada se torna mais coerente.

  1. Alinhamento com a criação de valor

O Value Proposition Canvas também ajuda a alinhar a empresa em torno da criação de valor. Isso é especialmente importante em organizações nas quais áreas diferentes têm interpretações distintas sobre o que torna a oferta relevante.

Marketing pode acreditar que o diferencial está na inovação. Vendas pode perceber que o cliente valoriza mais a redução de risco. Produto pode focar em funcionalidades técnicas, enquanto atendimento identifica que a facilidade de uso é o maior fator de satisfação.

A ferramenta cria um espaço para cruzar essas percepções e chegar a uma visão mais integrada. Assim, a proposta de valor deixa de ser uma definição isolada e passa a orientar decisões práticas em diferentes áreas.

  1. Identificação de oportunidades de inovação

Ao analisar dores e ganhos ainda não atendidos, a empresa pode identificar oportunidades de inovação. Essas oportunidades podem aparecer em novos serviços, ajustes de oferta, melhorias na experiência, modelos de atendimento, formatos de contratação ou abordagens comerciais.

Nem toda inovação precisa ser disruptiva no sentido clássico da palavra. Muitas vezes, inovar significa remover uma fricção importante da jornada do cliente, simplificar uma decisão complexa ou oferecer uma entrega mais adequada ao contexto real do mercado.

Uma empresa de serviços de marketing, por exemplo, pode perceber que seus clientes não precisam apenas de campanhas, mas de maior integração entre dados, conteúdo, mídia e vendas. A partir disso, pode criar uma oferta mais consultiva, com diagnóstico, planejamento, execução e acompanhamento de indicadores.

  1. Melhoria da comunicação e da colaboração

O Value Proposition Canvas melhora a comunicação interna porque cria uma linguagem comum entre áreas. Marketing, vendas, produto, atendimento e liderança passam a discutir valor a partir dos mesmos elementos.

Essa colaboração é essencial para evitar ruídos. Se o marketing promete uma coisa, o comercial vende outra e a entrega segue uma terceira interpretação, a experiência do cliente fica comprometida. Com uma proposta de valor bem estruturada, a empresa ganha consistência em todos os pontos de contato.

Além disso, a ferramenta ajuda a melhorar briefings, apresentações comerciais, materiais institucionais, campanhas e conteúdos. Cada peça passa a responder melhor às perguntas que importam: para quem estamos falando, que problema estamos ajudando a resolver e que valor estamos entregando?

  1. Melhoria iterativa

Por fim, o Value Proposition Canvas favorece a melhoria contínua. Ele não deve ser encarado como um documento fixo, preenchido uma única vez e guardado em uma pasta esquecida. 

O mercado muda, os clientes amadurecem, os concorrentes se movimentam e novas dores aparecem. Por isso, o canvas deve ser revisitado periodicamente com base em dados, entrevistas, feedbacks comerciais, resultados de campanhas e comportamento dos clientes.

Essa melhoria iterativa permite ajustar a proposta de valor com mais velocidade. A empresa pode testar novas mensagens, reposicionar ofertas, revisar segmentos prioritários, adaptar conteúdos e fortalecer abordagens comerciais.

Como aplicar o Value Proposition Canvas na estratégia de marketing e vendas?

Depois de entender a estrutura e benefícios da ferramenta, o próximo passo é aplicá-la na rotina. Para isso, o ideal é reunir informações de diferentes fontes: entrevistas com clientes, conversas comerciais, dados de CRM, pesquisas de mercado, análise de concorrentes, feedbacks de atendimento, relatórios de campanha e comportamento de navegação no site.

A partir desse diagnóstico, a empresa pode preencher o Customer Profile com base em evidências, não apenas em percepções internas. Em seguida, deve construir o Value Map conectando produtos e serviços às dores e ganhos identificados.

Essa análise pode ser usada para revisar a proposta comercial, criar novas mensagens de campanha, desenvolver conteúdos por etapa do funil, ajustar argumentos de venda, melhorar landing pages, orientar mídia paga e apoiar treinamentos comerciais.

Em uma operação mais madura, o Value Proposition Canvas também pode ser combinado com metodologias de vendas consultivas, como spin selling. As perguntas de situação, problema, implicação e necessidade de solução se tornam mais estratégicas quando o time já conhece as dores e ganhos prioritários do cliente.

Dessa forma, o Canvas passa a atuar como um guia para conversas comerciais, construção de marca e geração de demanda.

O que é Product Market Fit?

Agora que já explicamos tudo sobre os pilares do Value Proposition Canvas, vale lembrar que o Product Market Fit é o estágio em que uma solução encontra aderência real em um mercado. Isso acontece quando um produto ou serviço atende a uma necessidade relevante de um público específico, a ponto de gerar demanda, retenção, recomendação e crescimento sustentável.

Em termos práticos, uma empresa se aproxima do Product Market Fit quando percebe sinais consistentes de que o mercado valoriza sua oferta. Esses sinais podem aparecer em diferentes indicadores, como aumento da conversão, menor resistência na venda, expansão da carteira, crescimento de receita recorrente, maior engajamento com a marca e feedbacks positivos dos clientes.

Para negócios B2B, o Product Market Fit pode ser observado quando a solução passa a fazer parte da rotina do cliente, resolve problemas importantes e se torna difícil de substituir. Isso é especialmente relevante em contextos de compra mais racionais, nos quais o cliente precisa justificar orçamento, demonstrar retorno e reduzir riscos.

O Value Proposition Canvas contribui diretamente para essa busca porque ajuda a empresa a refinar sua oferta antes de escalar investimentos em marketing e vendas. Afinal, se a proposta de valor ainda não está clara, aumentar a mídia, contratar mais vendedores ou produzir mais conteúdo pode apenas acelerar uma mensagem desalinhada.

Qual é a importância do Product Market Fit?

O Product Market Fit é importante porque indica que existe uma conexão concreta entre oferta e demanda. Sem essa aderência, a empresa tende a gastar mais energia para convencer o mercado, enfrentar objeções recorrentes e depender de esforços comerciais intensos para gerar vendas.

Quando há Product Market Fit, por outro lado, o crescimento se torna mais fluido. O cliente entende mais rapidamente o valor da solução, a comunicação encontra menos ruído e o time comercial consegue conduzir conversas mais objetivas. Isso não elimina a necessidade de estratégia, mas aumenta a eficiência de cada movimento.

Para o gerente de marketing, ele oferece uma base mais segura para escalar campanhas. Com uma proposta validada, a empresa consegue investir em mídia, conteúdo, automação e relacionamento com mais previsibilidade. As mensagens passam a refletir dores reais e os canais são escolhidos com base no comportamento do público.

Para o gerente comercial, a aderência ao mercado melhora a qualidade das oportunidades e reduz o desgaste do ciclo de venda. A equipe passa a reconhecer padrões entre clientes com maior potencial, ajustar argumentos por segmento e construir abordagens mais consultivas.

A conexão com marketing e vendas é direta. Quando essas áreas compartilham uma visão comum sobre cliente, dores, ganhos e valor percebido, a empresa evita disputas internas sobre lead, discurso e prioridade. O foco passa a ser a construção de um processo comercial mais inteligente, sustentado por dados, contexto e aprendizado contínuo.

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